NORDESTE
- voolivreja
- 26 de mai. de 2022
- 3 min de leitura

Quem é que não sonha com férias no nordeste? Essa região do país conta com cenários paradisíacos e dignos da ficção, repletos de dunas de areia quentinha e dourada, mares verdes e tranquilos, florestas de Mata Atlântica nativa e cidades repletas de construções históricas que ajudam a narrar um pouco da trajetória do país.
QUIXADÁ e QUIXERAMOBIM

Nos sertões centrais do Estado do Ceará situa-se um tesouro geomorfológico magnífico. Trata-se dos inselbergs, também conhecidos no linguajar turístico regional como os “monólitos” de Quixadá e Quixeramobim.
O termo inselberg, que deriva do alemão. Significa “ilha de pedra”. Essa terminologia, quando traduzida, mostra-se mais elucidativa para caracterizar o relevo que a palavra monólito, pois o inselberg é exatamente isso: uma formação rochosa isolada, que se destaca em meio a uma superfície muito plana.

Conjunto de inselbergs em Quixadá, Ceará.
Os inselbergs ocorrem em todo as áreas do globo e em todos os tipos de rochas, mas são mais comuns em terras secas e em rochas ígneas do tipo graníticas. Esse é o caso do campo de inselbergs dos municípios de Quixadá e Quixeramobim, que caracteriza um dos mais representativos da Terra

Os inselbergs de Quixadá e Quixeramobim apresentam ainda fantásticas feições de menor porte e são ricos em inscrições rupestres, que contam a história dos indígenas do Nordeste que ocuparam a área. A região já vem sendo objeto de visitação turística, contando com mediana capacidade hoteleira e de serviços, e acesso fácil por estradas asfaltadas. É alvo de atividades associadas com esportes radicais tais como rapel e voos livres, além de contar com traços de romaria religiosa para visitação de alguns dos inselbergs.

A Pedra da Galinha Choca, o monólito mais ilustre do sertão cearense, é conhecida em âmbito nacional pela semelhança com a ave que lhe dá o nome. O que muita gente não sabe é que as rochas de Quixadá abrigam muitos outros animais.
Há um ano Francisco Alves, que prefere se identificar como Chico Javali, começou a procurar e catalogar formas de animais nos monólitos no sertão cearense. "A ideia era fazer uma revista ou um livro contando sobre esses formatos de pedra. Eu imagino um zoológico de pedra. O objetivo é mostrar que Quixadá não tem só a Galinha Choca, tem outros animais nas pedras", conta. As formas foram localizadas quando ele andava pela zona rural de Quixadá para fotografar, profissão que exerce há 20 anos. "Gosto muito de fotografar a natureza, sou fotógrafo há mais de 20 anos e eu começava a visualizar aquelas pedras com aqueles formatos de animais. Aí eu localizava a pedra, catalogava, com várias semanas fui juntando e organizando as imagens." Conforme o geólogo de Quixadá Ita Ventura, as pedras do município ganham diversas formas porque são mais frágeis que a maioria das rochas e são moldadas pela ação do tempo. "O monólito tem a biotita em 35% da sua composição, o que torna ele mais frágil e mais fácil de ser esculpido pela erosão, com os efeitos da chuva, sol, temperatura, ventos. Mesmo sendo mais flexíveis, esse processo leva milhões de anos."
Pareidolia, a visão de coisas nas nuvens

A identificação de animais e outras coisas nas nuvens, rochas ou poças d'água está associada a um fenômeno evolutivo que facilita o reconhecimento de padrões, de acordo com o físico Alberto Calabrez. O fenômeno tem o nome técnico de pareidolia, a associação de formas aleatórias com objetos conhecidos.
"Esse tipo de associação é bem antiga. Alguns dos registros mais antigos que temos disso são as constelações. Nossos antepassados viam touros, ursos, leões, animais fantásticos e uma infinidade de objetos na disposição das estrelas", explica.
Ainda segundo Calabrez, de forma ainda não explicada pela ciência, algumas pessoas têm mais facilidade para identificar formas nas pedras ou nuvens. "Talvez o Chico Javali seja uma dessas pessoas", diz, ao avaliar as fotografias do profissional.



Açude Cedro

Devido uma grande seca que o Ceará enfrentou em 1877 – 1879 foi tomada uma decisão por D. Pedro II para que se construísse o primeiro açude do país, portanto sendo uma das primeiras grandes obras de combate a seca. Ele circunda grandes rochas de pedra na cidade, criando uma bela paisagem, além de até hoje abastecer a população local.



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